Minha trajetória

Minha trajetória como psicóloga foi sendo construída tanto pela formação quanto pelas perguntas que surgiram ao longo da prática clínica.

Minha trajetória como psicóloga foi sendo construída tanto pela formação quanto pelas perguntas que surgiram ao longo da prática clínica.

Livros sobre psicologia e um vaso com flores junto à janela
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O início: o encontro com a Psicologia Junguiana

Depois de me formar em Psicologia, passei por diferentes experiências de psicoterapia até encontrar uma psicóloga de orientação junguiana. A maneira como ela trabalhava me marcou profundamente. Pela primeira vez, reconheci uma forma de compreender e acompanhar o outro com a qual me identificava verdadeiramente.

Foi a partir dessa experiência que cheguei ao curso de Psicoterapia de Orientação Junguiana Coligada a Técnicas Corporais, no Instituto Sedes Sapientiae. Foram três anos de uma formação que teve um impacto profundo não apenas na minha maneira de trabalhar, mas também na minha própria vida.

Ali encontrei algo que permaneceria importante em toda a minha trajetória: a possibilidade de aproximar a compreensão da vida psíquica da experiência do corpo.

Degraus de pedra em uma trilha entre árvores, iluminados pelo sol
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Corpo e trauma

Durante minha formação no Sedes, fui supervisionada por Neusa Sauaia, que desenvolvia um trabalho com crianças vítimas de violência. Passei a acompanhá-la e foi nessa experiência que tive meu primeiro contato com uma nova maneira de compreender e trabalhar com o trauma.

Neusa me apresentou ao Somatic Experiencing® e, ao ler O Despertar do Tigre, de Peter Levine, reconheci novamente aquela sensação que havia experimentado ao encontrar a Psicologia Junguiana: é por aqui que eu quero seguir.

Fiz então a formação em Somatic Experiencing® no Brasil, concluindo a etapa avançada com o próprio Peter Levine. Mais tarde, aprofundei essa experiência como assistente de formações conduzidas por Steve Hoskinson, nos Estados Unidos e no Japão.

Esse percurso ampliou profundamente minha compreensão sobre o trauma e sobre como experiências difíceis podem permanecer presentes não apenas na memória, mas também no corpo e nas formas de proteção que desenvolvemos.

Sementes de um dente-de-leão levadas pelo vento
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Ampliando o olhar para além do indivíduo

Com o passar dos anos, uma nova questão começou a aparecer na clínica.

Eu observava que muitas pessoas respondiam muito bem ao trabalho que realizávamos. Outras, porém, apesar de todo o trabalho psíquico e corporal, pareciam permanecer presas a algo que não conseguíamos compreender olhando apenas para sua experiência individual.

Essa inquietação me levou ao estudo da Constelação Familiar.

A formação ampliou minha compreensão sobre a dimensão sistêmica da experiência humana e sobre a importância de considerar que cada pessoa pertence a uma história familiar que começou muito antes dela.

Esse novo olhar passou a se somar aos anteriores: o indivíduo não apenas como alguém que possui uma vida psíquica e um corpo, mas também como alguém inserido em uma rede de vínculos, histórias e relações.

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Vínculos e apego

Mais recentemente, meu interesse foi se aprofundando nos estudos sobre vínculos e apego.

Nesse percurso, realizei cursos importantes como Fundamentals of Attachment Styles e Breaking the Cycle of Shame, com Diane Poole Heller, e The Attachment Blueprint: A Fresh Look at the Biology of Safety and Connection, com Aimie Apigian.

Hoje, esses conhecimentos participam principalmente da maneira como compreendo os vínculos — inclusive aquilo que acontece na própria relação terapêutica.

É um campo que continuo estudando e aprofundando.

Depois de mais de três décadas de clínica, talvez uma das coisas que minha trajetória mais tenha me ensinado seja justamente esta:

Um olhar clínico não precisa se fechar. Ele pode continuar se transformando à medida que novas perguntas surgem.